Candidato a líder do PS considera que os atentados à unidade nacional devem implicar perda de mandato.Data: 19-11-2009
Se Victor Freitas vencer a corrida à liderança do PS-Madeira, vai avançar com uma proposta de revisão da Constituição da República que, entre outras alterações, afasta o presidente do Governo Regional do Conselho de Estado.Na moção de estratégia que o ex-líder parlamentar socialista apresenta aos militantes madeirenses, é alterada a representação das Regiões Autónomas no órgão de consulta do Presidente da República.Victor Freitas defende que devem ser os presidentes das Assembleias Legislativas a ocupar o lugar reservados às regiões e não os presidentes dos Governos Regionais. Na prática, a proposta implicaria substituir Alberto João Jardim por Miguel Mendonça. Esta é um dos pontos mais polémicos do documento que o ex-deputado da ALM está a preparar e que espera ver aprovado pelos socialistas madeirenses.Perda de mandatoNo que diz respeito à proposta de revisão constitucional, Victor Freitas também defende a perda de mandato para os titulares de órgãos de soberania ou órgãos de governo próprio das Regiões devido a "actos ou declarações públicas que, de qualquer modo, implícita ou explicitamente, atentem contra a unidade nacional".Este ponto também parece feito 'por medida' para Jardim.A perda de mandato é acompanhada de uma perda de direitos de candidatura durante oito anos.Victor Freitas defende um limite de três mandatos para o primeiro-ministro e para os presidentes dos Governos Regionais.O candidato a líder do PS-M justifica estas propostas, bem como a revisão Estatuto Político-administrativo da Madeira, com o facto de, na Região, "a democracia estar bloqueada".Victor Freitas considera urgente resolver os problemas constitucionais para resolver, "definitivamente, o problema democrático e, depois, o problema social e o problema do desenvolvimento".Ainda no plano constitucional, a moção de estratégia prevê que Portugal não seja um "Estado unitário regional", mas uma "República una e soberana".O PS-M também deverá apresentar propostas, ao nível da Constituição, sobre um sistema fiscal que contemple as especificidades regionais.Campanha sem inauguraçõesO documento que Victor Freitas vai apresentar aos militantes também aborda a revisão do Estatuto da Região.Duas das principais alterações dizem respeito, directamente, ao presidente do Governo Regional.O candidato a líder do PS-M defende o cumprimento das regras de imparcialidade e normalidade democrática, durante as campanhas eleitorais. Para isso, pretende incluir no Estatuto um artigo em que o presidente do Governo Regional, uma vez marcadas as eleições regionais, "não poderá estar presente ou mandar mensagens gravadas para actos que configurem a violação do seu dever de isenção, nomeadamente inaugurações, públicas ou privadas". Este tem sido um dos motivos de maiores protestos e reclamações, em todos os actos eleitorais, uma vez que Alberto João Jardim participa em inaugurações, antes e durante o período de campanha eleitoral.Victor Freitas também pretende que o Estatuto imponha ao presidente do Governo uma presença mensal no parlamento regional e um debate anual sobre o 'Estado da Região".
Incompatibilidades e impedimentos na ALMA proposta de revisão do Estatuto, defendida por Victor Freitas, também prevê alterações no funcionamento da Assembleia Legislativa.O ex-deputado defende a aplicação de um regime de incompatibilidade e impedimentos idêntico ao que vigora ao nível nacional e nos Açores. Este regime seria aplicado a todos os titulares de cargos públicos, na Região. Um reforço do poder legislativo da ALM, assumido na revisão constitucional e um poder efectivo de fiscalização do Governo Regional, são outras medidas que serão propostas aos militantes socialistas.O PS-M prepara-se para as directas que deverão realizar-se no início de Janeiro. Victor Freitas e Jacinto Serrão são, até ao momento, os dois candidatos assumidos.
Jorge Freitas Sousa in Diário de Notícias
Jorge Freitas Sousa in Diário de Notícias







